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Eles prometiam economia, mas entregaram prejuízo: conheça os motores 3 cilindros mais problemáticos do Brasil

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 22/05/2025 às 09:36
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Eles prometiam economia, mas entregaram prejuízo: conheça os motores 3 cilindros mais problemáticos do Brasil

Trocar óleo não basta: alguns motores 3 cilindros estão condenando carros com menos de 50 mil km. Veja quais evitar antes de comprar um usado

Nos últimos anos, os motores 3 cilindros viraram febre no Brasil. Todo mundo queria um carro econômico, moderno e que prometesse um consumo baixo na cidade. A ideia parecia perfeita, mas com o tempo, ficou claro que nem todo motor dessa categoria era sinônimo de eficiência e durabilidade. Muito pelo contrário. Alguns acabaram se tornando uma verdadeira dor de cabeça para os donos — e um prato cheio para oficinas.

Vários desses motores, apesar de bonitos na ficha técnica, acumulam reclamações por consumo exagerado de óleo, vibração estranha, problemas elétricos, defeitos de projeto e manutenção cara. E o mais assustador: tem carro com menos de 50 mil quilômetros precisando de reparo pesado no motor.

Se você está pensando em comprar um carro com motor 3 cilindros, vale a pena conhecer os que mais acumulam queixas por aqui. Veja abaixo quais são os modelos que mais aparecem nas oficinas — e os motivos que levam os mecânicos a recomendarem distância deles.

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O GM 1.0, usado no Onix e no Tracker, se tornou um dos mais criticados dos últimos tempos

motor 1.0 da GM

Um dos motores mais vendidos do Brasil também virou um dos mais temidos. O motor 1.0 da GM, tanto na versão aspirada quanto na turbo, equipa carros como Onix, Prisma e Tracker. Só que junto com a popularidade, veio um problemão que pegou muita gente de surpresa: a tal da correia dentada banhada em óleo.

Na teoria, essa correia é mais silenciosa e dura mais. Mas na prática, ela começa a se desfazer antes do tempo, liberando resíduos no óleo que entopem o pescador da bomba. Isso gera queda na pressão de lubrificação e, se o motorista não perceber a tempo, pode fundir o motor. Tem muito dono que fez tudo certo, óleo correto, revisões em dia, e mesmo assim ou por esse sufoco.

Além disso, a bomba de vácuo também costuma falhar. Feita de baquelite, ela não aguenta tanto calor e se degrada com o tempo, deixando o pedal de freio duro do nada. É um motor que exige atenção total e que não perdoa quem vacila na manutenção.

O Ford 1.0 Ti-VCT virou piada nas oficinas pelo tanto que treme

Quem já teve um Ford Ka com motor 3 cilindros sabe que ele é bom de direção, econômico e até valente no trânsito. Mas basta ligar o carro pra notar o problema: o motor treme tanto que parece que o carro está ando mal. Nas oficinas, ele ganhou o apelido de “trimilique”, e não foi à toa.

Essa vibração em excesso não é só um incômodo no volante. Ela acaba provocando desgaste no chicote elétrico, falhas nas bobinas, problemas no corpo de borboleta e até solta o polo da bateria. É como se o carro fosse desmontando aos poucos. E o pior é que isso acontece mesmo com baixa quilometragem.

Outro detalhe importante é que esse motor exige óleo muito específico. Se o dono usar qualquer lubrificante diferente, algumas peças começam a se desgastar, o que encurta ainda mais a vida útil. Muita gente já desistiu do Ford Ka por conta dos gastos que aparecem do nada, tudo culpa de um motor que não aguenta vibração.

O Firefly 1.0 da Fiat engana bem no começo, mas pode virar pesadelo depois

Na lista dos que prometem e não cumprem, o Fiat Firefly 1.0 também aparece. Ele está presente no Mobi, Argo e Uno, e apesar de ter uma proposta interessante — com corrente de comando no lugar da correia —, a prática mostra que não é tão confiável quanto parece.

O principal problema está na corrente que pode pular o ponto se o motor for girado no sentido contrário durante a manutenção. Isso acontece mais do que se imagina, principalmente em oficinas menores. Quando a corrente escapa, o motor perde o sincronismo e só voltará ao normal com desmontagem pesada.

Pra piorar, ele também tem falhas recorrentes na bomba d’água, que acabam misturando óleo e água no sistema, confundindo muitos mecânicos, que removem o cabeçote achando que é junta queimada. Sem contar os coxims do motor, que quebram com facilidade e custam uma pequena fortuna. Tem dono que já gastou mais de R$ 3 mil só pra resolver isso.

Ou seja, é um motor que parece tranquilo, mas pode esconder um prejuízo bem desagradável se o dono não ficar atento.

O SCe 1.0 da Renault é um campeão em fazer barulho e consumir óleo

Se tem um motor que não esconde seus defeitos, esse é o SCe 1.0 da Renault. Ele equipa o Kwid, o Logan e o Sandero, e apesar de também usar corrente de comando, isso não impediu que ele ganhasse fama nas oficinas.

O problema mais comum é o desgaste do eixo de comando, que gera um barulho metálico bem característico, mesmo com baixa quilometragem. Tem Kwid com 30 mil km que já parece um carro dos anos 90. E isso não é exagero: o ruído assusta.

Esse motor também costuma ter vazamento constante de óleo pela tampa de válvulas. Além disso, o consumo de óleo é absurdo para um carro popular. Muita gente anda com um litro de óleo no porta-malas como se fosse água.

Outra dor de cabeça recorrente é a queima de bobinas, principalmente porque elas ficam muito próximas da tampa, onde o calor é mais intenso. Tudo isso somado transforma o que deveria ser um motor simples e econômico numa verdadeira caixa de surpresas desagradáveis.

O PureTech 1.2 da Peugeot e Citroën teve uma ideia brilhante que saiu pela culatra

Por último, mas não menos polêmico, temos o PureTech 1.2, usado nos modelos da Peugeot e da Citroën, como 208, 2008 e C3. Esse motor parecia ser o mais moderno da turma: leve, eficiente, com boa entrega de torque. Só que a tecnologia dele virou um tiro no pé.

A famigerada correia dentada banhada em óleo, que deveria durar mais, acaba se desmanchando antes do tempo. E o que acontece depois é quase sempre o mesmo: pedaços da correia entopem o sistema de lubrificação, o óleo deixa de circular corretamente, e o motor sofre desgaste acelerado, quando não funde de vez.

Mesmo fazendo manutenção preventiva e usando óleo correto, muita gente ou por esse pesadelo. O motor ainda exige que, na hora da troca da correia, o mecânico “descarregue” as polias variáveis girando o motor manualmente. Se isso não for feito direito, o carro sai da oficina todo fora de ponto.

É um motor que exige mão de obra muito especializada. E se você depender de uma oficina comum, o risco de prejuízo é alto.

Vale a pena pensar duas vezes antes de levar um 3 cilindros pra casa

Se você está pensando em comprar um carro usado com motor 3 cilindros, vale pesquisar com calma. Converse com quem já teve, assista vídeos de mecânicos e leia relatos em fóruns e redes sociais. Comprar por impulso, só porque o carro é econômico, pode te colocar num caminho cheio de oficinas, peças caras e dores de cabeça.

Afinal, economia de verdade é aquela que não custa sua paz.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino, actualmente radicado en Río de Janeiro, Brasil, con trayectoria enfocada en la cobertura de temas militares, defensa, ciencia, tecnología, energía y geopolítica. Mi objetivo es traducir información técnica y compleja en contenidos accesibles y relevantes para un público amplio, siempre manteniendo el rigor periodístico. Sou apaixonado por explorar como a tecnologia y defensa impactam a sociedade eo desenvolvimento econômico. https://muckrack.com/noel-budeguer?

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